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Facebook Papers: as provas que faltavam para mostrar como a rede manipulou você 7

Facebook Papers: as provas que faltavam para mostrar como a rede manipulou você

No final de 2017, o Facebook anunciou uma novidade para conquistar um novo público: um aplicativo de mensagens para crianças. O Messenger Kids foi apresentado com os diferenciais de poder ser monitorado pelos pais e ter sido desenvolvido com apoio de especialistas. A ideia era permitir que as crianças “se conectassem com quem elas amavam”. Filtros e joguinhos garantiriam a diversão, com segurança para pais e mães.

Pouco mais de um ano depois, no entanto, um estudo interno da empresa levantou preocupações sobre a ferramenta. O aplicativo estava sendo usado apenas para as crianças se comunicarem com quem estava longe. Mas o Facebook queria mais. Queria tornar o Messenger Kids prioridade em momentos de lazer infantis. Queria que os amiguinhos passassem a usar o aplicativo também em brincadeiras ao vivo, juntos, e não apenas quando estivessem longe.

Em um documento interno da empresa chamado “Explorando brincadeiras como alavanca de crescimento do Messenger Kids”, funcionários do Facebook discutem o que chamam de “oportunidade”: trabalhar com os pais e as crianças para que o aplicativo rompesse a barreira do online e passasse a permear as brincadeiras ao vivo dos pequenos.

No estudo, o Facebook constatou que a maioria dos pais não permite que os filhos façam o uso de eletrônicos na hora de brincar. Isso era um problema para os negócios. “A maioria das crianças (68%) não usa o Messenger Kids nos momentos reservados para brincadeiras”, diz o documento. Em seguida, a empresa pontuou o que chamou de “áreas de oportunidade”: ferramentas para fazer com que o aplicativo seja usado para iniciar brincadeiras e marcar encontros. “Queremos encontrar maneiras de ajudar as crianças a falar sobre o app quando elas estão juntas”, diz o texto.

O objetivo da empresa fica claro: ela queria crescimento e retenção dos usuários – no caso, crianças pequenas. Não havia menção, por exemplo, ao fato de a Organização Mundial da Saúde recomendar que crianças entre 6 e 10 anos, o público-alvo do aplicativo, passem no máximo duas horas diárias em frente a telas. Segundo a empresa, agora rebatizada de Meta, a pesquisa tinha como objetivo melhorar as experiências das famílias com o aplicativo. A assessoria de imprensa da empresa, no entanto, afirmou reconhecer que “a linguagem usada no estudo não reflete nossa abordagem para uma questão séria”.

O avanço sobre as crianças é mais uma faceta da empresa, segundo revelações feitas à SEC, a agência federal americana responsável pela regulamentação e controle dos mercados financeiros, e fornecidas ao Congresso dos Estados Unidos em formato editado pelos advogados de Francis Haugen, uma ex-funcionária do Facebook. A versão editada do arquivo recebida pelo Congresso norte-americano está sendo revisada e publicada por um consórcio internacional de veículos jornalísticos, incluindo o Intercept.

Os documentos vazados por Haugen mostram de maneira cristalina o que críticos apontavam há anos: a máquina de experimentos do Facebook trabalha incessantemente para aumentar sua base de usuários e manter as pessoas por cada vez mais tempo na plataforma. Parte fundamental dos experimentos era a coleta contínua de uma montanha de dados sobre nós, usados para manipular a nossa atenção, moldar nosso comportamento e exibir anúncios desenhados com base nessas informações para satisfazer nossos desejos íntimos.

Os críticos já denunciaram muitas vezes as consequências desse modelo de negócios. Ele não está apenas transformando as pessoas em consumidores compulsivos de produtos, mas também de teorias da conspiração, pânico e desinformação. O algoritmo que produz a timeline que você vê prioriza conteúdos produzidos por pessoas brancas e ajuda a espalhar publicações de ódio e racismo. Influencia eleições e provoca violência política real, assassinatos e linchamentos. Também destrói a saúde mental de crianças e adolescentes. Em resumo, a plataforma criada com o singelo propósito de “conectar pessoas” ajuda a eleger tiranos e racha famílias.

O Facebook sempre rebateu as críticas, refutadas em seus comunicados de imprensa robóticos e ações precisas de relações públicas, com o apoio de parceiros que ajudaram a limpar sua imagem. Mas, enquanto emitia negativas protocolares, a empresa acumulava dezenas e mais dezenas de documentos, estudos, experimentos e discussões internas que confirmavam tudo. O arquivo mostra que empregados da empresa levavam em conta as críticas que a sociedade estava apontando e os problemas internos da rede social. Mas, na maior parte dos casos, o Facebook escolheu não corrigi-los, apesar dos esforços de alguns funcionários.

Em quatro semanas, um novo usuário que segue só conteúdo recomendado passa a ver mais posts distorcidos.

Mais grave, a empresa de Mark Zuckerberg não apenas sabia que os problemas existiam, mas também tinha condições técnicas e recursos para resolvê-los. Ainda assim, decidiu não fazer isso. É essa a história contada pelos documentos de Haugen, o que torna as coisas muito piores para Zuckerberg e sua tropa de choque.

Ex-cientista de dados da empresa, Haugen vazou os documentos, a princípio, para o Wall Street Journal – mais tarde, para as autoridades americanas. Depois, rompeu com o anonimato em várias entrevistas bombásticas, em que acusa o Facebook de priorizar o lucro em detrimento da saúde mental de seus usuários, de sociedades e da democracia. Segundo ela, “vidas estavam em risco”. “Eu fiz o que era necessário para salvar vidas, especialmente no sul global, que eu acho que estavam em perigo pela priorização do Facebook de lucro acima de pessoas. Se eu não tivesse apresentado esses documentos, isso nunca teria vindo à tona”, ela declarou.

Outro documento revelado por Haugen e revisado pelo Intercept, por exemplo, mostra investigações internas sobre vários conteúdos conspiratórios que se tornaram virais. Por que eles continuavam online mesmo após uma enxurrada de denúncias? Um deles, que questionava os atentados de 11 de setembro, foi classificado como “desinformação” pelo próprio Facebook. Isso não o impediu de ser visto mais de 4 milhões de vezes em um único dia. O veredito da equipe interna que analisou o vídeo? “Ignorar” as denúncias. Outro, que questionava a eficácia de máscaras na prevenção da covid-19, foi visto 11 milhões de vezes antes de ser classificado como desinformação. Na análise interna, o Facebook também decidiu ignorar as denúncias.

Em mais um documento vazado, um funcionário explica que, em 2018, no dia das eleições, 18,4 milhões de posts políticos foram visualizados 2,7 bilhões de vezes. No total, 74 milhões de pessoas foram impactadas pelo conteúdo político. Mas só 3% dos usuários foram responsáveis por 35% daquele material. É uma “influência desproporcional” no debate público, orquestrada, que pendia para um lado. Você pode imaginar qual: Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República com folga.

O funcionário que escreveu o documento sugeria a adoção de medidas para equilibrar o debate e abaixar o alcance desse tipo de influência política coordenada. Não foi para frente. O resto da história você conhece: Bolsonaro se elegeu com facilidade e continuou usando o Facebook como trampolim político, inclusive com lives que espalharam mentiras negacionistas no meio da pandemia.


WASHINGTON, DC - JULY 29: Facebook CEO Mark Zuckerberg speaks via video conference during the House Judiciary Subcommittee on Antitrust, Commercial and Administrative Law hearing on Online Platforms and Market Power in the Rayburn House office Building, July 29, 2020 on Capitol Hill in Washington, DC. (Photo by Graeme Jennings-Pool/Getty Images)

Mark Zuckerberg alardeou o investimento em checagem de fatos como prova de que o Facebook se importava com a luta contra a desinformação. O que ele decidiu manter em segredo é que estudos internos provaram que os desmentidos não têm tanto efeito quanto se esperaria.

Foto: Graeme Jennings-Pool/Getty Images

Não é usual que ex-funcionários de big techs quebrem a muralha de sigilo que protege as políticas internas. Desde que deixou o Facebook, revelou sua identidade em uma entrevista bombástica e depôs no Senado americano, Haugen tem recebido apoio de organizações como a Whisteblower Aid e a Luminate, braço filantrópico do grupo de Pierre Omidyar, fundador do eBay – que também financiou a fundação do Intercept. “O que as evidências mostram, de forma mais crítica, é que as torrentes de conteúdo tóxico das redes sociais são sintomas de uma causa raiz, o design de produto e o modelo de negócios. Esses serviços digitais foram projetados para maximizar engajamento, isso é, capturar a nossa atenção para vender aos anunciantes com pouca preocupação sobre as consequências”, disse a Luminate em um comunicado em que explicou por que apoiará diretamente as iniciativas que trouxerem essas questões ao debate público.

Desde outubro, um consórcio de veículos tem se debruçado sobre o arquivo, cuja versão disponível para a imprensa omite informações como nomes de funcionários e títulos de pesquisas. Os documentos não serão apresentados na íntegra para evitar a exposição involuntária de outros funcionários do Facebook. Nós já falamos das primeiras revelações, publicadas no The Wall Street Journal, aqui. No Brasil, reportagens baseadas no arquivo de Haugen também já foram publicadas pelo Núcleo Jornalismo, Folha e Estadão.

Nós mergulhamos nos documentos e conversas, que saem agora do campo etéreo de algoritmos e outros cálculos difíceis de entender e chegam em pessoas reais, que ganhavam salários para maximizar nosso tempo na plataforma, captar nossas informações e fazer a empresa lucrar mais do que nunca. Nesse laboratório, fomos todos cobaias, e o resultado do experimento ultrapassa as fronteiras do mundo virtual.

A seguir, confira alguns dos principais documentos analisados pelo Intercept até agora.

Os documentos secretos de Haugen mostram evidências de que o Facebook sabia muito bem como o seu algoritmo operava a favor da radicalização dos usuários. Um post publicado na rede interna da empresa em 3 de setembro de 2020 cita três estudos e conclui que leva apenas quatro semanas para que um novo usuário que segue só conteúdo recomendado passe a ver mais posts divisivos, polarizadores ou distorcidos. Um mês de Facebook, e uma pessoa razoável vira um radical político, graças ao algoritmo.

Um dos estudos citados, detalhado na Vice, mostra que um usuário comum leva apenas uma semana para ser bombardeado por conteúdos do QAnon, que espalha uma série de mentiras delirantes sobre uma suposta elite global de pedófilos.

O Facebook sabia como isso acontecia. O escritório da empresa no Reino Unido encomendou a pesquisadores independentes um estudo só sobre teorias conspiratórias. O arquivo, que suprime o nome dos envolvidos, também está entre o material vazado por Haugen e analisado pelo Intercept. “O alcance global do Facebook e outras plataformas de mídia permitem uma rápida disseminação dessas teorias por vastas distâncias”, diz a pesquisa. “A interatividade, conteúdo que prende a atenção e a habilidade de formar grupos dedicados em algumas redes sociais facilitam o compartilhamento e a manutenção de teorias da conspiração”.

Os pesquisadores enumeram várias: delírios de que redes 5G causam covid-19, negacionistas de mudanças climáticas, gente que batia o pé acreditando que a pandemia era uma farsa e o próprio ecossistema QAnon.

O estudo mostra que há grupos dedicados a disseminar essas teorias e que os usuários mais suscetíveis a elas normalmente tendem a só compartilhar esse tipo de conteúdo e ignorar o resto. “A informação é muitas vezes tirada de um amigo que tem a mesma visão, resultando em câmaras de eco online”, diz o documento. “Nelas, usuários tendem a ficar presos em comunidades que compartilham o mesmo interesse, e isso resulta no reforço de crenças conspiratórias e alimenta o viés de confirmação”.

Em um post antivacina, por exemplo, os pesquisadores constataram que a linguagem normalmente aparenta ser factual e tem uma estrutura lógica – muitas vezes mimetizando informação científica.

O estudo detalha, também, estratégias que funcionam e que não funcionam contra esse tipo de conteúdo. No rol das falhas está a mera suspensão de contas, o que alimenta a suposição de que “eles não querem que você saiba disso”. Outra é a checagem de fatos: apesar de os desmentidos poderem “potencialmente” mitigar crenças conspiratórias, eles não agem sobre as crenças mais profundas, nem desmontam o sistema mental que faz as pessoas caírem nas mentiras.

O estudo interno desmonta uma estratégia do Facebook: listar financiamento de checagem como “combate às fake news”. Essa foi, aliás, uma das ações que a empresa alardeou, em 2018, como uma estratégia para “ajudar as pessoas a tomarem decisões mais informadas” na campanha eleitoral. Como sabemos, funcionou mais como marketing do que como política de proteção do debate público.

Isso porque, enquanto anunciava esses gastos – que, convenhamos, não faziam nem cócegas nos lucros bilionários da empresa –, o Facebook não mudava em nada seu sistema de ranqueamento que privilegiava conteúdo mentiroso e violento para prender atenção.

A empresa, por meio de sua assessoria, afirmou que as pesquisas internas são parte de um “esforço para criar um espaço seguro em nossas plataformas para todos os usuários”. Também contestou a ideia de que é responsável pela radicalização. “As evidências que existem simplesmente não apoiam a ideia de que o Facebook, ou as redes sociais em geral, são a principal causa da polarização. O aumento da polarização política antecede as redes sociais em várias décadas. Se fosse verdade que o Facebook é a principal causa da polarização, esperaríamos vê-la crescendo onde quer que o Facebook seja popular. Não é”, disse a empresa.

Em junho de 2020, um funcionário decidiu compartilhar seu “pensamento aprofundado” sobre a diferença no uso dos produtos do Facebook de acordo com a raça dos usuários. Seu diagnóstico: a empresa estava escolhendo não olhar para essa questão, mesmo sabendo que muitos de seus produtos poderiam reproduzir racismo.

“Mesmo que nós presumidamente não tenhamos políticas desenhadas com a intenção de prejudicar minorias, nós definitivamente temos políticas e práticas que o fazem”, começa o texto, que faz parte do arquivo de Francis Haugen, postado em um grupo interno que debate ideias para enfrentar a injustiça racial.

O que ele reconheceu internamente é o que vem sendo repetido há anos por pesquisadores que acusam a plataforma de racismo algorítmico: os sistemas da empresa reproduzem desigualdades de acordo com a raça do usuário. Em 2019, um estudo já havia mostrado que o Facebook era escandalosamente racista e machista: anúncios de vagas de táxi eram exibidos para homens negros, e de secretárias, para mulheres. Em setembro de 2021, a inteligência artificial do Facebook indicou a usuários da plataforma vídeos de primatas após a reprodução de um video protagonizado por um homem negro.

“Devemos exaustivamente estudar como nossas decisões e os mecanismos da rede social apoiam ou não minorias”, defendeu o funcionário. Ele explicou que identificou usos díspares nos produtos do Facebook por raça, mas seu próximo parágrafo deixa claro por que questões sobre grupos minoritários não são tratadas: o Facebook escolheu ser “racialmente cego” – expressão que significa não considerar questões raciais nas decisões. E com isso, faltam medidas e métricas que apoiem mudanças para garantir justiça racial.

Segundo o funcionário, o Facebook “intencionalmente evita capturar informações sobre a raça dos usuários”. A razão para isso pode até ser boa: sem coletar dados de raça, anunciantes não conseguem segmentar anúncios específicos para pessoas brancas, por exemplo. Mas o empregado viu dois problemas com a escolha.

“Primeiro, nossos sistemas de machine learning quase certamente são capazes de supor a raça de muitos usuários. É virtualmente garantido que nossos sistemas apresentam preconceitos baseados na raça do usuário”.

“Segundo, muitas das ideias de justiça social que discuto abaixo são extremamente difíceis de estudar se não formos capazes de fazer análises baseadas em raça”, continuou o funcionário. E há ainda uma visão mais cínica, ele completa, para a falta de dados sobre raça no Facebook. A plataforma deseja evitar saber o que está fazendo. E o que o Facebook está fazendo?

Assim como percebido nas eleições brasileiras de 2018, quando grande parte do conteúdo do feed de notícias foi produzido por um pequeníssimo número de usuários, o Facebook percebeu que pessoas negras estavam marginalizadas no debate na rede.

“Qual a fração de VPV dos Estados Unidos de posts criados por pessoas negras e qual a fração de posts visualizados por pessoas negras?”, ele questiona. Se as publicações de pessoas negras forem significativamente menos vistas que as publicações criadas por grupos dominantes e vistas por negros, então vozes negras são sub-representadas em relação ao seu uso da plataforma.

Os usuários recorrem ao Instagram quando precisam de suporte em maus momentos, mas a rede social piora o que já está ruim.

Não fosse isso um problema por si só, ele é agravado pela otimização do engajamento promovido pela própria plataforma: “a maioria das grandes vozes negras no espaço cívico são conservadoras e apresentam visões que não parecem representar amplamente a comunidade negra”, o funcionário aponta.

“De maneira simples, as escolhas que fazemos no ranqueamento do feed de notícias (e distribuindo anúncios, e em outros produtos) têm um grande efeito em quem se dá bem ou não na nossa plataforma”. Vozes divisivas e sensacionalistas ganham com o posicionamento do Facebook, enquanto todo o resto dos usuários, populações e democracias perdem. E a plataforma sabe disso, outro funcionário fez questão de complementar.

Embora o “problema com pessoas negras” da plataforma seja discutido há anos, o Facebook passou longe de assumir ou resolver as implicações de sua atividade nas comunidades minoritárias. Uma planilha interna utilizada para enumerar casos de racismo na plataforma dá uma ideia da dimensão dos problemas. O primeiro da lista são relativos a reclamações sobre “notificações indesejadas sobre familiares/publicações que elas consideram racistas”. A solução do Facebook? “Educar os usuários sobre como desligar notificações indesejadas”.

Também há uma série de problemas com sugestões e pedidos de amizade. Usuários reportaram receber pedidos de amizade de pessoas que tinham excluído de sua lista de amigos por racismo, além de ver pessoas excluídas pelo mesmo motivo sendo reapresentadas pelo Facebook como sugestões de amizade. Teoricamente, usuários que desfizeram amizades na plataforma não deveriam ser importunados novamente pelos indivíduos. A solução proposta é apenas confirmar se a experiência de sugestão e pedidos de amizade está funcionando como pretendido.

No dia 18 de novembro deste ano – muito provavelmente em resposta às críticas levantadas pelos vazamentos –, a empresa publicou um texto em que detalha suas metodologias para criar métricas para estudar questões raciais na plataforma. No mesmo dia, também divulgou um relatório sobre o avanço de suas medidas de equidade.


Mark Zuckerberg, chief executive officer of Facebook Inc., speaks during the virtual Facebook Connect event, where the company announced its rebranding as Meta, in New York, U.S., on Thursday, Oct. 28, 2021. A major theme at the annual conference will be the company's ambitions for the so-called metaverse, a new digital space that it believes will supplant smartphone apps as the primary form of online interaction. Photographer: Michael Nagle/Bloomberg via Getty Images

Confrontado em março do ano passado por uma deputada sobre o papel do Facebook no aumento de 60% do número de tentativas de suicídio entre adolescentes nos EUA entre 2011 e 2018, Mark Zuckerberg preferiu fazer rodeios a responder.

Foto: Michael Nagle/Bloomberg via Getty Images


Na última década, pesquisadores do mundo todo se aprofundaram nos sentimentos negativos proporcionados pelo uso das redes sociais, como a insegurança e a comparação constante. O próprio Facebook também investigou o impacto desses sentimentos. Não porque exista uma preocupação genuína com a saúde dos seus usuários, mas, sim, devido ao medo de perdê-los e do desejo de prolongar e estreitar cada vez mais essa relação.

Outro documento dos Facebook Papers mostra como a empresa tem ciência disso. Intitulado “Community RYSK 2020” e postado internamente em 12 de fevereiro de 2020, ele enumera várias pesquisas internas que os funcionários têm que conhecer – RYSK é um sigla para research you should know (pesquisas que você deveria conhecer, em português).

O primeiro deles, sobre saúde mental, considera a opinião de mais de 22 mil entrevistados de países como Estados Unidos, Brasil, Índia, Turquia e Indonésia. Os participantes tinham entre 13 e 65 anos e responderam um questionário sobre o Instagram. As constatações trazem alguns pontos:

  • “A maioria dos usuários recorre ao Instagram para se distrair quando está passando por momentos ruins”;
  • “30% das adolescentes meninas acham que o Instagram aumentou a insatisfação com seus próprios corpos”;
  • “29% dos usuários do Instagram reportaram que usam menos o aplicativo e 4% desativaram suas contas temporariamente, ambos devido às comparações sociais”;
  • “Comparação social negativa pode causar ou ser correlacionada com outras questões referentes à imagem corporal, autoestima, solidão e depressão”.

No estudo, a empresa detalha o sofrimento humano: os usuários recorrem ao Instagram quando precisam de suporte em momentos ruins. Na rede social, no entanto, eles não encontram o que precisam. Pelo contrário: a rede social piora o que já está ruim. Entre as consequências negativas do Instagram, o Facebook relata piora na autoestima, ansiedade, insegurança, isolamento, adoção de hábitos danosos, solidão e depressão.

No fim, o documento transforma o sofrimento em uma espécie de produto que precisa de ajustes para voltar à prateleira e ter um melhor desempenho nas vendas. Os entrevistados sentem que são ocupados demais e que suas vidas não são interessantes o suficiente para postarem, sentimentos que se traduzem em experiências ruins na plataforma – problemas encarados como “oportunidades para o futuro” para a equipe de crescimento.

Um dos apontamentos feito pela equipe ao longo do texto é que “potenciais soluções de produto”, nesse caso, deveriam “dar às pessoas um melhor controle do conteúdo que veem”. As experiências negativas com o uso do aplicativo também são consideradas no documento, que mostra que 17% dos usuários que desativam suas contas têm como queixa principal os efeitos devastadores da comparação social.

Entre 2011 e 2018, a taxa de depressão, automutilação e tentativa de suicídio aumentou 60% nos Estados Unidos entre adolescentes. Em março deste ano, uma deputada norte-americana chegou a confrontar Mark Zuckerberg sobre o papel do Facebook e do Instagram diante desses números. Ele desconversou.

O sentimento de que as outras pessoas são mais felizes e melhores sucedidas não é novo para a humanidade, mas foi potencializado pelo bombardeio de informações nas redes sociais. Em 2018, foi publicado pela empresa o estudo interno “O Facebook aumenta e diminui a solidão”, assinado pela pesquisadora e cientista de dados Moira Burke, que trabalha para a rede social desde 2012. O texto, inédito até ser vazado por Haugen, afirma que “pessoas solitárias usam muito o Facebook” e traz os resultados de um questionário internacional respondido pelos usuários.

“Pessoas que usam o Facebook cerca de uma hora por dia são as menos solitárias. Já as que usam muito mais ou muito menos tempo são mais solitárias”, aponta o documento. Entre os entrevistados, 45% afirmaram: “muitas das pessoas que vejo no Facebook têm uma vida melhor que a minha”.

Segundo a Meta, os estudos “servem para que possamos construir produtos melhores”. “As pesquisas informam como construímos experiências sociais de melhor qualidade em nossos produtos”, disse a empresa.

Se usar o Facebook e o Instagram nos faz tão mal, por que não conseguimos parar? Basicamente, porque eles são programados para serem viciantes: os problemas causados pela própria plataforma eram resolvidos com mais e mais ferramentas para explorar os pontos fracos do nosso cérebro e permitir o crescimento e a retenção da base de usuários.

Em 2020, o Facebook perdeu o trono de dono do aplicativo mais baixado do mundo. O TikTok, um novo concorrente que explora a mesma lógica de retenção dos usuários, dominou as atenções e downloads. Para concorrer com a novidade, a plataforma fez algo que já havia feito outras vezes: copiou a ideia. Em agosto do mesmo ano, o Instagram agregou o Reels, um espaço para criação e compartilhamento de vídeos curtos, divertidos e virais, assim como os do TikTok.

Quando você passeia pela timeline no Instagram e se depara duas vezes com Reels que utilizam um mesmo áudio, não é coincidência. Nem tendência. É de propósito. É o aplicativo que quer te influenciar a usar esse áudio, criar um novo Reels e dar continuidade a uma cadeia gigante de pessoas que repetem um mesmo comportamento e enriquecem a plataforma.

Um estudo de janeiro de 2020 chamado “Alavancas de mimetismo para Reels 2021”, que faz parte do arquivo de Haugen, traz diversos apontamentos sobre as práticas mais lucrativas para impactar usuários com conteúdos nesse formato. “A exposição repetida ao mesmo áudio em um dia tem um impacto positivo imediato na criação [de conteúdo similar]”, traz o texto, que analisa o comportamento padrão dos usuários. A Meta não comentou o documento.

O Instagram entende, por exemplo, que não vale a pena mostrar Reels de contas com muitos seguidores para perfis com poucos seguidores. Isso não é inspirador e não gera identificação, fazendo com que o usuário não queira repetir esse padrão e criar um novo conteúdo. São táticas como essa que fazem o algoritmo ser eficaz.

No final do documento, uma frase aparentemente sem importância sintetiza o que Mark Zuckerberg e sua empresa têm feito desde 2004: “Estamos conduzindo uma série de experimentos para validar alavancas de mimetismo”. Nunca duvidamos disso.

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Supreme Court Set to Hear Arguments in the Mississippi Case Seeking to Overturn Roe v. Wade

The Supreme Court will hear oral arguments on Wednesday in the most significant abortion case it has considered since it established the constitutional right to the procedure in the 1973 decision Roe v. Wade.

The case, Dobbs v. Jackson Women’s Health Organization, centers on a Mississippi law that bans nearly all abortions after 15 weeks of pregnancy—a direct challenge to the central holding of Roe v. Wade. The outcome of the case could redefine the right to abortion in the United States and have profound implications not just for reproductive rights, but for nearly every sector of American society, from health care and criminal justice to workforce participation and the economy.
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The stakes are especially high because the Supreme Court has grown more conservative in recent years. When Mississippi officials asked the high court to take the case in 2020, conservative justices outnumbered liberals 5-4. But after Ruth Bader Ginsburg died and Trump-nominee Amy Coney Barrett was confirmed, the Court lurched further right. It now has a 6-3 conservative majority.

Starting last year, the justices spent months deliberating over whether to hear Dobbs v. Jackson Women’s Health Organization. When they announced in May that they would consider it, reproductive rights groups expressed shock. The decision to consider the case at all signaled that the majority was willing to revisit the fundamental premise of Roe v. Wade, which asserts that states cannot restrict abortion before fetal viability, typically around 24 weeks into pregnancy.

On Wednesday, the Supreme Court will consider the question of whether all bans on abortion before viability are unconstitutional. Mississippi has also asked the Court directly to overturn Roe, as well as Planned Parenthood v. Casey, a 1992 decision that reaffirmed abortion rights. In the state’s brief, filed over the summer, Mississippi’s Republican attorney general, Lynn Fitch, argued that both precedents are “unprincipled decisions” without basis in the Constitution and that states should be allowed to prohibit abortion if the laws support legitimate government interests.

Brooke Jones, a lab tech at Jackson Women's Health Center, inside an examination room at the clinic
Stacy Kranitz for TIMEBrooke Jones, a lab tech at Jackson Women’s Health Organization, inside an examination room at the clinic

Read More: Inside Mississippi’s Last Abortion Clinic—And the Biggest Fight for Abortion Rights in a Generation

Legal experts largely agree that the court will more likely avoid explicitly overturning Roe, and will instead issue a decision that allows far more restrictions on abortion while technically leaving the nearly 50-year-old decision in place. But abortion rights advocates say that any decision that allows the Mississippi law to stand will effectively gut the right to abortion by opening up a pathway for states to more severely limit the procedure.

Many conservative states have passed increasingly restrictive laws regulating abortion in recent years. In November, the Court heard another set of high-profile abortion cases. In that hearing, the justices considered a Texas statute, which went into effect in September, that bans almost all abortions after about six weeks and deputizes private citizens to enforce the limit. While the Texas law’s fate is still uncertain, lawmakers in at least half a dozen other states are already drafting legislation that emulates it or have said they want to do so. If the Mississippi law also is upheld, more Republican-led states would likely follow its lead and enact similar measures in the future.

The law before the Court

The Mississippi law in question, which prohibits abortion after 15 weeks of pregnancy, was passed by the state’s Republican-majority legislature in 2018. The law makes exceptions only in cases when the fetus has a severe abnormality that is “incompatible with life” or when the pregnancy threatens the woman’s life or a “major bodily function.” Doctors who violate the ban would have their medical licenses suspended or revoked. When Mississippi’s then-Governor Phil Bryant signed the law in March of that year, he said the state was “saving more of the unborn than any state in America.”

The state’s only abortion clinic, Jackson Women’s Health Organization, immediately filed suit to block the law, arguing it was unconstitutional. A federal district court judge agreed and struck down the law. A three-judge panel of the conservative Fifth Circuit Court of Appeals then upheld that ruling. When Mississippi appealed the decision to the Supreme Court, Jackson Women’s Health Organization and its lawyers expected the justices to reject the case because it so directly challenged precedent. Instead, they found themselves preparing to fight the law again.

Two people stand outside Jackson Women's Health Center holding pro-life signs
Stacy Kranitz for TIMETwo people stand outside Jackson Women’s Health Organization holding anti-abortion signs

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Mississippi is arguing that Roe should be overturned because the viability standard it established is arbitrary and does not appropriately take into account a state’s interest in regulating abortion. It also says that times have changed since 1973, necessitating a review of Supreme Court precedent.

“Today, adoption is accessible and on a wide scale women attain both professional success and a rich family life, contraceptives are more available and effective, and scientific advances show that an unborn child has taken on the human form and features months before viability. States should be able to act on those developments,” the office of the state’s attorney general said in its brief before the Court.

If the Court does not overrule Roe, state officials argue the justices could instead significantly weaken it by either allowing bans before fetal viability or by ruling that the 15-week law does not put a significant burden on people in Mississippi.

Jackson Women’s Health Organization provides abortions up to 16 weeks, so the state has argued its law “reduces by only one week the time in which abortions are available in Mississippi.” But the state legally allows abortions up to 20 weeks right now, and Mississippi officials have repeatedly attempted to challenge the right to all abortions, not just those after 15 weeks. In 2019, Mississippi passed a six-week abortion ban, which was blocked by the courts, and in June, Mississippi Governor Tate Reeves, a Republican, told CNN that he sees the 15-week ban as a “vehicle” for the Supreme Court to revisit Roe.

Abortion rights supporters argue that the Mississippi law is clearly unconstitutional and that Mississippi has not made a convincing case for why the Supreme Court should deviate from its precedent.

“The State’s suggestion that gains in women’s status somehow support taking away their right to make basic decisions about their lives and their bodies is nonsensical,” lawyers for Jackson Women’s Health Organization wrote in their brief before the Court. “Even if the claim that the United States had achieved full gender equality were true (it is not), those gains were made while the Court has steadfastly reaffirmed the right to abortion.”

The clinic’s lawyers also say that viability remains a useful standard for abortion laws. “Since the court has looked at these issues before, looked at these same arguments and rejected them, nothing has changed,” Julie Rikelman, director of litigation at the Center for Reproductive Rights, who will argue the case on behalf of the Mississippi clinic, told reporters recently. “Nothing has changed in terms of the facts. Nothing has changed in terms of the law. So there is just no basis for the Court to reach a different outcome today than it has in the past on this right.”

At the Live Action pro life candlelight vigil at Jackson Women's Health Center on Oct. 29, Kim Gibson (right), clinic escort and co-organizer of the Pink House Defenders, stands in front of the clinic as Terrisa Bukovinac (founder and Executive Director of the Progressive Anti-Abortion Uprising) uses a bullhorn to speak out against abortion
Stacy Kranitz for TIMEAt the Live Action anti-abortion candlelight vigil at Jackson Women’s Health Organization on Oct. 29, Kim Gibson (right), clinic escort and co-organizer of the Pink House Defenders, stands in front of the clinic as Terrisa Bukovinac (founder and Executive Director of the Progressive Anti-Abortion Uprising) uses a bullhorn to speak out against abortion

What the justices could do

While it’s impossible to know how the Supreme Court will decide, legal scholars say there are a few most likely paths.

The Court may decide that abortion bans before fetal viability are constitutional. That decision would drastically change the way states interpret what laws they are allowed to pass. If this happens, dozens of other abortion laws that have been blocked or challenged in lower courts could suddenly be reconsidered.

The Court may also decide to revisit Casey, the 1992 decision that said states could pass restrictions as long as they did not pose an “undue burden” to people seeking them. If the justices rule that Mississippi’s 15-week law does not pose an “undue burden” on patients, that would also expand what laws the state and others like it seek to implement under that new standard.

The Court may also choose to reinterpret the standard for abortion laws in another way, then send the Mississippi case back to lower courts to consider the law under whatever new standard has been established.

Of course, the Court could choose to overturn Roe directly. But legal scholars say that’s perhaps less likely due to concerns that such a decision may be interpreted as overtly political. Public opinion of the Supreme Court hit a record low this fall, and four of the nine justices have expressed concerns in recent months about being viewed as overly partisan. The American Bar Association filed a brief addressing this topic, telling the Court that reversing such long-held precedents “would create a wave of political and social turmoil, and damage the Court as an institution.” Whatever they decide, the justices may also avoid establishing any specific new standard, legal experts say, because the Court would then have to overrule that if it does completely overturn Roe in the future.

The justices are expected to decide the case by the end of the current term in June.

Immense stakes for the country and the courts

Both abortion rights advocates and abortion opponents are gearing up for big changes after the Supreme Court rules.

Mississippi says in its brief that it hopes Dobbs v. Jackson Women’s Health Organization will settle the abortion debate in the U.S. and allow individual states to restrict abortion however their lawmakers would like. “The national fever on abortion can break only when this Court returns abortion policy to the States,” Mississippi’s brief says.

Abortion rights advocates argue that such a ruling would create chaos both for people seeking abortions and for the courts. A decision explicitly overturning Roe would have immediate consequences. Twelve states, including Mississippi, have what are known as “trigger” laws designed to ban all or most abortions shortly after the Supreme Court overturns Roe. Nine other states have previously passed laws that stringently restrict abortion, which they could move quickly to implement, and five more states are likely to try banning abortion if allowed to do so, according to the Guttmacher Institute, a research center that supports abortion rights. All told, about half of the states are expected to quickly criminalize abortion.

Read More: The Supreme Court Will Consider the Texas Abortion Law. Their Decision Could Change the Court—and the Country

This would create an even more stark patchwork of access across the country than already exists, making abortions completely inaccessible across much of the South and Midwest. Many people would need to cross state lines and travel hundreds of miles to reach the nearest clinic. Abortion rights advocates, researchers, legal scholars and economists have also argued in amicus briefs that this would have a powerful impact on women’s equality by hurting their health, educational and career opportunities, as well as the financial security of individuals and their families.

All of these consequences would disproportionately impact people who are already vulnerable, including low-income women, people of color, LGBT people and those who live in rural areas. Those who work low-wage jobs and have limited access to paid time off face extra challenges navigating the logistical and financial hurdles of accessing abortions. Black women also have much higher rates of maternal mortality than white women, and experts have warned that abortion restrictions could lead to more maternal deaths. Advocates also fear that Black people would face stiffer consequences if abortion were criminalized, given the racism embedded in many parts of the U.S. justice system.

In Mississippi, many of the patients at Jackson Women’s Health Organization are young, low-income Black women who have children. The state already significantly limits abortion in many ways, which the clinic staff say makes it difficult for their patients to afford their services. Mississippi prohibits abortion after 20 weeks, bars telemedicine for abortion, mandates in-person counseling and then a 24-hour waiting period, requires parental consent for minors, does not allow public health insurance to cover abortion in most cases, and requires that doctors who perform abortions be board-certified obstetrician-gynecologists.

The clinic has a fund to help some patients afford abortions, and many get help from other abortion funds too. If the Supreme Court allows states to restrict abortion further, barriers will increase, but abortion providers and advocates note that people will not stop seeking abortions.

“People need to understand that if you’re already suffering, taking something away does not make the suffering go away. It increases the suffering,” Shannon Brewer, the director of Jackson Women’s Health Organization, told reporters earlier in November. “And that’s what’s gonna happen here.”

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Mayors, Borough Bosses and Land Commissioners: Why Donald Trump Is Making Extremely Local Endorsements

During their local mayoral race in early November, town residents in Hialeah, Florida, population 230,000, heard a familiar voice in a campaign ad for the city’s election. “Steve Bovo,” boomed former President Donald Trump’s voice, in an ad spliced with video of Trump name checking the Republican candidate during a rally in 2020. Boosting Bovo’s campaign to run the town next door to the Trump National Doral Miami resort, the former President’s endorsement told voters that “as Mayor, Bovo will fight for the values that are now under attack by the Radical Left.” With Trump’s seal of approval, Bovo won the municipal election with 59% of the vote.

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Bovo’s not the only hyper-local candidate to win an endorsement from the 45th President. Over the last year, Trump has endorsed 57 officials in state, local and congressional races across the country, according to a tally kept by Ballotpedia. He endorsed the winning candidate for Staten Island borough president. He’s already backed candidates running in 2022 for land commissioner in Texas, agricultural commissioner in Florida, secretary of state in Arizona, Georgia and Michigan, a host of state attorneys general and lieutenant governor hopefuls, as well as 17 candidates for House races, 14 Senate races and eight state governor’s races.

An endorsement from a former President is coveted political capital, and it is unusual for a former Commander-in-Chief to extend his influence to such low-level political races. So what is Trump up to? It’s partly personal, political observers say. Trump has always been open about supporting those who praise him and attacking those who criticize him. Since leaving office, he has intervened in low-level races where he has a personal history. “He’s got a long memory and is one of the most vengeful people we’ve ever come across,” says Larry Sabato, a prominent political analyst and director of the Center for Politics at the University of Virginia.

But Trump appears to have tactical reasons for intervening at the local level, too. His failed attempt to overturn the results of the 2020 election suggest to Sabato and others that his local endorsements have a political motivation, especially when they are for positions that oversee vote counting and certification of election results in swing states.

Endorsing candidates for secretary of state, for example, may be a sign that Trump learned from his inability to overturn the election in 2020 and is positioning himself to be able to change the outcome if he or an ally loses the presidential race in 2024. (Trump has not yet announced whether he plans to run.) “He wasn’t able to control the process in the way that he had expected after the 2020 election. He wants to make sure it doesn’t happen again in 2024,” Sabato says. “He’s trying to prepare the way either for himself or for his chosen successor on the Republican side.” In the aftermath of the 2020 election, Trump unsuccessfully pressured members of Congress and state-level secretaries of state to alter vote totals or not certify results for Joe Biden. “We all know now Election Day is just the beginning of the process,” Sabato continues. “The old tradition of a peaceful transition of power is out the window, thanks to Donald Trump and his allies.”

The office for former President Trump did not respond to a request for comment.

Trump’s endorsements have extended even lower into city governments than the secretaries of state or mayors’ offices. Vito Fossella had served multiple terms as a state representative in Albany until a DUI arrest in 2008 revealed he had a second family living in Virginia, and the revelation temporarily tanked his political career. But Trump boosted Fosella’s comeback in the race for Staten Island Borough President this year with an endorsement that proclaimed “New York City is now a filthy and dangerous place” and Fossella is “the only true Conservative Republican in the race who will stand up to the Radical Liberal Mob.” Fossella won the race. He said he got a call from Trump after his come-from-behind win.

Trump has focused some of his recent endorsements on 2022 elections Texas—a state he won in 2020 by more than five points. He endorsed Dawn Buckingham, who is running for Texas land commissioner. She was an early supporter of Trump’s in 2015 and currently serves in the Texas state senate. The state’s current land commissioner is George P. Bush, the son of Trump’s 2016 Presidential primary rival Jeb Bush. The younger Bush broke with his family’s criticism of Trump earlier this year to praise Trump in what was widely seen as a bid to get Trump’s endorsement for Texas attorney general. Also joining the attorney general race is another Trump supporter, Congressman Louie Gohmert, who met with planners of the Jan. 6 rally and is a member of the House Anglo Saxon Political Traditions Caucus. Trump decided to endorse the incumbent Ken Paxton for reelection instead, and has scheduled a fundraiser for Paxton at Mar-a-Lago in December.

Some of Trump’s early endorsements are for candidates in states that contributed to his election loss in 2020. In Michigan, he’s endorsed candidates for attorney general and secretary of state, as well as five state representatives. In Georgia, he’s backed candidates for secretary of state and lieutenant governor. He’s endorsed a candidate for secretary of state in Arizona, where allies dragged out an election audit that ultimately confirmed Biden’s win. Those states will likely be closely contested in 2024 as well, and Trump seems to be trying to position allies in key roles.

Not all of Trump’s picks so far have been successful. Trump’s choice in the Republican primary for Pennsylvania’s open Senate seat, Sean Parnell, dropped out of the race on Nov. 22 after losing custody of his three children amid abuse allegations in contested divorce proceedings. Trump’s endorsement can help, but “you’ve still got to nominate good candidates,” says Whit Ayers, a Republican pollster and political consultant.

Trump’s endorsements are most effective in Republican primaries in states and districts that went for Trump in 2020, says Ayers. In 2018, then-President Trump’s endorsement of Ron DeSantis in the Republican primary for Florida governor swung the race by more than 20 points in DeSantis’ favor, Ayers says. But a Trump endorsement “doesn’t appear to be anywhere near that potent today in the wake of the post-election allegations and Jan. 6,” he says. In toss-up states, a Trump endorsement could even be a “minus,” according to Ayers, and help motivate Democratic voters. Ayers argues that Trump’s false allegations of election fraud in Georgia depressed Republican turnout during the Senate runoff late last year, allowing Democrats to win those two Senate seats. When Trump endorsed Maryland state delegate Daniel Cox as a primary challenger to Maryland’s incumbent Republican Governor Larry Hogan, Hogan wrote on Twitter, “Personally, I’d prefer endorsements from people who didn’t lose Maryland by 33 points.”

As Trump tries to sway the outcome in local races from New York to Arizona, the next year will test just how influential the former President remains.

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Inside the 80-Year Quest to Name Pearl Harbor’s Unknown Victims

The seven sailors point their rifles skyward and fire three times in unison, shattering the silence at the National Memorial Cemetery of the Pacific. The military salute signifies the end of an 80-year-old mystery that traces back to Dec. 7, 1941, the beginning of America’s involvement in World War II.

Navy sailors Harold and William Trapp were presumed killed when their battleship U.S.S. Oklahoma was hit by Japanese torpedoes and capsized in Pearl Harbor. The Trapp family waited for weeks, months, then years as the military worked to find the brothers’ remains and send them home. But there were few intact bodies left in the water that day, and as time went on, the remains aboard the Oklahoma mixed together.
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The U.S. Navy declared the brothers dead despite never identifying them, a fate shared by most of the 429 sailors and Marines killed aboard the ship. Bound by the forensic limitations of the era, the military collected their remains and buried them in 46 common graves in the Honolulu cemetery under granite headstones that read: UNKNOWN.

Now, eight decades later, the Trapp brothers and their shipmates are being laid to rest in graves bearing their own names. Over the past six years, an obscure unit inside the Pentagon called the Defense POW/MIA Accounting Agency (DPAA) has identified 361 men killed aboard the Oklahoma. One by one, the graves have been exhumed, the remains analyzed and identified with advances in DNA technology and science. The military hopes the Oklahoma project, completed this year, could serve as a model for identifying remains of other soldiers, killed in other wars. Based on its success, the DPAA believes there could soon be a day without any “unknown” military graves.

On June 15, a bright, clear day at the cemetery known as the Punchbowl, the Trapp brothers are buried with full military honors in a ceremony attended by family members never given the chance to meet Harold and William. “I don’t think people understand what it means to have somebody who has been unidentified,” says Carol Sowar, the brothers’ niece. “Unless you go through it personally, you just have no idea what it means to have this closure.”

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Tech. Sgt. Rusty Frank—U.S. Air Force/Department of DefenseCarol Sowar receives an American flag at her uncles’ funeral at the national cemetery in Honolulu

Harold was born in December 1916 on the northside of Chicago. William came 13 months later. They, along with their kid sister and Sowar’s mother, Irene, were raised 65 miles east in the rural town of La Porte, Ind., after their parents sought a slower pace of life for their family. Harold was serious and thoughtful, with aspirations of becoming an engineer. William, meanwhile, was more happy-go-lucky and free-spirited.

The brothers were inseparable. Nearly every family photo shows them together—Harold, a head-taller than William—and if one of them isn’t in the picture, it’s usually because he’s the one taking it. The brothers took odd jobs together, picking fruit, caddying at the local golf club or trapping muskrats and selling the fur. So, on May 4, 1939, when William chose to enlist in the Navy, Harold joined him.

It wasn’t uncommon at the time for family members who enlisted together to serve in the same unit or on the same ship. The brothers each went through training in their respective specialties. William, an electrician’s mate, reported for duty aboard the Oklahoma in August 1939 and Harold, a fire controlman, followed eight months later. By that time, the ship was beginning to conduct exercises off Hawaii. The brothers sent photos back home showing their delight with their new island life: wearing leis around their necks, balancing pineapples in the palms of their hands or standing triumphant atop a windswept mountain.

On the morning of Dec. 7, 1941, Harold, 24, was on deck of the Oklahoma while William, 23, was working below, according to their family. The ship was moored in the shallows of Pearl Harbor’s “Battleship Row,” and unbeknownst to the brothers, formations of Japanese dive bombers, torpedo planes and fighters were already headed their way.

A little before 8 a.m., the first torpedo exploded into the side of the ship. Plumes of water climbed into the air as more torpedoes tore into the ship’s steel hull. The Oklahoma’s crew manned battle stations and tried to fight back, but it had been hit eight times within the first ten minutes. The ship listed and capsized when the ninth—and final—torpedo struck.

Sailors jumped into the scalding, oil-slick water to avoid strafing runs. Some climbed across mooring lines to reach the nearby U.S.S. Maryland. When the bombs stopped finally dropping, the Japanese damaged or sank 21 ships. A total of 2,403 Americans died, 429 of which had been aboard the Oklahoma and 1,177 on the U.S.S. Arizona, the wreckage of which still lies in Pearl Harbor to this day.

Typically, the Navy would not have attempted to recover the victims. The remains aboard the sunken Arizona, for instance, stayed with the ship. “That becomes their final resting place. It’s kind of like being buried at sea,” says Johnie Webb, director of outreach at DPAA. But because much of the Oklahoma was intact and there were sailors trapped alive inside, Webb explains, the Navy believed it might be able to salvage the ship and save the survivors.

Indeed, rescuers drilled holes and saved 32 men. Later, Navy personnel worked to recover the fallen crew from December 1941 to June 1944. But as the remains came in, laboratory staff was only able to identify 35 men. The rest were ultimately buried in mass graves at the Punchbowl. The Trapps were one of at least eight sets of brothers killed aboard the Oklahoma. “I just felt for those families,” Webb says. “It’s bad enough to lose one son, but to lose two or three in some cases… I can’t imagine the grief that they had to live with.”

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Courtesy Carol SowarFrom left: Harold Trapp, mother Lillie Trapp, father William E. Trapp, William Trapp, and family friend Lambert Zeephat in August 1939

The attack on Pearl Harbor occurred nine years before Carol Sowar was born, but in many ways, it shaped the course of her life. An entire side of the family was simply wiped out: no aunts, uncles nor cousins. There was a lasting sadness. Her mother, Irene Louise Trapp, grieved her older brothers’ deaths until she, herself, died in 2007.

After their deaths, the family revered Harold and William. Photos of them were preserved like relics. They were gone, no doubt. But where? Were they at the bottom of Pearl Harbor? Or in an anonymous grave?

The questions loomed for decades over Ray Emory, a Pearl Harbor survivor aboard the U.S.S. Honolulu hit the same day the Trapp brothers likely died. He spent much of his life pushing the U.S. military to identify the unknown remains. In 2003, after years of research, Emory approached the military with folders containing sailors’ personal information. Armed with service records, dental scans and other evidence, he was convinced that modern science could identify remains of at least one of the buried service members. The military agreed to investigate.

The first grave was exhumed that year and researchers were stunned to discover DNA signatures of more than 100 people in a single casket. The military made its first individual identification in 2008 and ID’d four more sailors over the next two years.

The findings showed the promise of DNA and advances in dental, anthropological and genetic evidence in identifying the lost sailors, giving hope to hundreds of families living in limbo. But the Navy was against DNA testing on the Oklahoma, not wanting to raise the expectations of gold-star families only to let them down. Over time, the innovations and reliability in DNA technology could not be ignored. In 2015, the Pentagon overruled the service and instructed the caskets to be disinterred and identified using the latest DNA technology.

The exhumation of the Oklahoma victims took place between June and November 2015 and went through analysis at the DPAA laboratories at Joint Base Pearl Harbor-Hickam, Hawaii, and at Offutt Air Force Base in Nebraska. The two labs, staffed by anthropologists, archaeologists and forensic odontologists, comprise the largest skeletal identification facilities in the world.

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Forensic scientists cut postage stamp–size samples in bones and Tic Tac–size wedges from teeth and send them to the Armed Forces DNA Identification Laboratory in Dover, Del., for testing. Once extracted, the DNA is compared to reference samples from cheek swabs provided by living family members who are maternally related to the missing service member. The DPAA, which has been at work identifying remains not just from Pearl Harbor but all American wars beginning with World War II, maintains massive DNA banks. The agency uses DNA in about three-quarters of its cases.

The agency did not have all the family reference samples from the Oklahoma. Some of the service members had no living descendants or were adopted; or family members simply never submitted. The DPAA ultimately identified 361 of the 394 unknown service members aboard, which is a 92% success rate. Most of the identified sailors and Marines were buried in the Punchbowl or in their hometowns.

To identify William and Harold’s remains, DPAA researchers used mitochondrial DNA from Sowar, her brother and her two children, who all gave samples. Scientists then had to tell how each of bones that was a DNA match to the family belonged to each brother. “We were able to use dental as well as anthropological methods to individuate the brothers,” says Debra Prince Zinni, the DPAA laboratory deputy director. “We knew dentally, which skull belonged to which brother. And then the stature really came into play. Harold is several inches taller than William, so just from the length of the bones, we were able to determine which brother was which.”

When the call finally came to Sowar in November 2020, she was dumbfounded. She was sad, of course, but also relieved to have certainty about her uncles’ fates. She thought of her mother, who would never have that satisfaction, and of her grandmother, who lived out the rest of her life without her two boys. “I just cried and cried and cried from relief,” Sowar says.

After she watches her uncles laid to rest under their own headstones at the Punchbowl, Sowar feels as though she’s reached the finish line of a marathon. “I don’t know how I can explain it better than I feel… that this is where they belong,” she says. “And yes, it’s 80 years, and it took a long time to come home, but they’re home.”

Shortly after the ceremony, Sowar walks into the cemetery’s Courts of the Missing, which documents each service member who went missing-in-action fighting America’s wars throughout the Pacific. Standing in the afternoon sunlight, she scans the thousands of names chiseled into the stone walls until her eyes fall on her uncles’. There, next to each one, she places a gold rosette. The two men are now accounted for.

—With reporting by Nik Popli

O Brasil onde você é preto ou pardo somente quando interessa 11

O Brasil onde você é preto ou pardo somente quando interessa


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Amanda Jungles/The Intercept Brasil; Arquivo Pessoal

Os cientistas e pesquisadores estavam felicíssimos: as estatísticas mostravam que a população brasileira seria, em 2012, formada por 80% de pessoas brancas. Era 1929 e acontecia, no Rio de Janeiro, o Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia. Entre os nomes ilustres, o antropólogo Roquette-Pinto mostrava que os censos de 1872 e de 1890 indicavam a queda da população negra (de 16% para 12%) e o aumento da branca (de 38% para 44%). Estávamos no caminho para ser como os “tipos puros e belos do Velho Mundo”, nas palavras do crítico Silvio Romero. Ali, todo mundo queria ser branquinho.

Corta para Brasília, 2021, eleições para o comando da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Distrito Federal, a OAB-DF. O edital, inédito na entidade, estipula que, nacionalmente, 30% das vagas devem ser reservadas a negros e pardos. Após uma denúncia, a chapa liderada pela advogada Thaís Riedel passou a ter todos seus membros avaliados por determinação do Conselho Federal da entidade. O babado: tinha gente branca se declarando preta ou parda, burlando as regras. Logo, a avaliação passou a valer também para as demais chapas (encabeçadas por Délio Lins e Silva Júnior, Renata Amaral, Evandro Pertence e Guilherme Campelo), mesmo aquelas que seguiram corretamente o edital. Todas concorreram sem registro e sub judice. Ali, tinha muita gente querendo ser neguinha.


O Brasil onde você é preto ou pardo somente quando interessa 12

Fotos dos candidatos da chapa liderada pela advogada Thaís Riedel à presidência da OAB-DF que se autodeclararam negros. Uso indevido das cotas foi questionado por entidade e colocou eleição sob judice.

Reprodução: OAB-DF

“A OAB instituiu a lei de cotas da mesma forma que a Princesa Isabel instituiu a abolição: foram muitos os interesses e as pressões”, diz o advogado Estevão Silva, à frente da Associação Nacional de Advocacia Negra (Anan), entidade que questionou a formação de chapas no DF. Segundo ele, não houve atenção, após a criação das cotas, para detalhes fundamentais como as comissões de heteroidentificação, formada por avaliadoras e avaliadores que vão analisar se pessoas que se declararam negras/pardas de fato o são.

Nas universidades públicas, por exemplo, candidatos e candidatas precisam passar por esta avaliação para somente depois ingressarem (ou não) nas instituições. “Agora, também não há discussão sobre como serão estas comissões, se, por exemplo, só advogados vão constituí-las”, continua Estevão, lembrando que a ordem não legitimou o coletivo para fazer a impugnação das chapas enquanto representantes da advocacia negra. “Isso prova o racismo institucional que há dentro da ordem”.

O caso da OAB-DF é só mais um na longa história dos problemas com as autodeclarações e a instrumentalização da pele preta em concursos diversos de todo país. Um exemplo são as dezenas de universidades públicas, repletas de casos de pessoas que usam de má-fé e tentam burlar um sistema necessário para diminuir as desigualdades no ensino superior. Entidades como a Educafro já realizaram diversas denúncias, mas o problema se mantém – e é extremamente delicado, uma vez que usamos a avaliação do fenótipo para determinar quem é negro ou pardo.

“Como no Brasil o preconceito se dá pela cor da pele – quanto mais preta, maior a discriminação –, essa é ainda a melhor forma de seleção no país”, diz Estevão Silva, lembrando que a Anan é a primeira entidade no Brasil a fazer cadastro de advogados negros. São 10 mil pessoas, atualmente. “Mas é um número que não representa a população. Estima-se que são mais de 2 milhões de advogados no Brasil, acreditamos que cerca de 20% são negros.”

É fundamental observar como é justamente a classificação de “pardo” a que mais traz dor de cabeça dado o alto grau de instrumentalização do termo, já chamado de “cano de escape” da tensão racial brasileira. No Brasil, sinônimos como “moreno” ou mesmo “mulato” foram largamente utilizados para amenizar socialmente a quantidade de melanina na pele (lembro de um passado recente no qual chamar uma pessoa de negra era visto como uma ofensa). Mas, agora, ser “parda” ou “pardo” se dá muitas vezes de acordo com a conveniência, como ilustrou bem o caso da OAB-DF.

“O pardo marca a passagem de um oposto ao outro e ao mesmo tempo borra qualquer noção de fronteira. Do mesmo modo, o pardo (ou o moreno e o mulato) para nós está longe de ser uma categoria essencializada. O objetivo é, justamente, mostrar o quanto ela é cambiante e politicamente interessante para diferentes finalidades”, escrevem Viviane Inês Weschenfelder e Mozart Linhares da Silva no bom artigo “A cor da mestiçagem: o pardo e a produção de subjetividades negras no Brasil contemporâneo”. Nele, conseguimos compreender um pouco mais sobre como a tal mestiçagem virou um espaço de vale-tudo no qual o uso da raça negra se tornou forma tática de ocupar espaços que foram negados a esta mesma população.

No estudo, descobrimos que a palavra circula há muito entre nós: ela apareceu já no “Vocabulário Portuguez & Latino”, publicado em 1720. Segundo o padre Rafael Bluteau, pardo significa a ‘cor entre branco e preto, “própria do pardal, de onde parece ter vindo o nome”. Na edição de 1789, atualizada por António Morais da Silva e renomeada como “Diccionario da língua portuguesa”, houve um acréscimo: além da “cor entre branco e preto, como a do pardal”, aparece “homem pardo, mulato”. No “Dicionário da Língua Brasileira” de 1832, o adjetivo pardo é a “cor entre branco e preto, mulato”. A categoria pardo apareceu já no Censo de 1872, mas, no Censo de 1890, foi substituída por “mestiço” e só ressurgiu em 1940, sempre como número expressivo (em 1940, correspondiam a 21,2% da população e, em 2010, 43,1%).

Um levantamento feito pelo pesquisador e artista Haroldo Saboia mostra como, de fato, esse uso não é só cambiante, mas acompanha a vida da pessoa de acordo com sua trajetória e status social. Ao pesquisar centenas de certidões de nascimento no município de Itaiçaba, no Ceará, onde nasceram seus bisavôs e o avô, Saboia percebeu que, durante pelo menos nas décadas de 1930 e 1940, nenhuma pessoa nascida na cidade foi registrada como negra, somente como pardas, morenas ou claras.

O pesquisador descobriu o processo de branqueamento e enegrecimento do próprio avô, Augusto: ao nascer, ele foi identificado como branco. Quando virou trabalhador, foi registrado na carteira profissional como pardo. Ao morrer, tornou-se, na certidão de óbito, novamente branco. “A mestiçagem foi e ainda é o centro do apagamento das populações indígenas e afrodescendentes. Mas, mesmo sendo uma figura que institui socialmente um sujeito subalterno, o mestiço é uma figura estratégica de embranquecimento”, diz o pesquisador.


Augusto, avô do artista Haroldo Saboia, foi considerado pardo na carteira de trabalho. Mas, na sua certidão de nascimento e morte, foi identificado como branco.

Augusto, avô do artista Haroldo Saboia, foi considerado pardo na carteira de trabalho. Mas, na sua certidão de nascimento e morte, foi identificado como branco.

Foto: Arquivo Pessoal

Nosso talento para atenuar os tantos tons da escureza de nossa pele impressionou, na década de 1970, o antropólogo norte-americano Marvin Harris, criador de uma espécie de sistematização que evidencia esse clareamento da pele a partir da classe social ocupada. Ao estudar uma Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnud, na Bahia e analisar como as pessoas entrevistadas declaravam sua própria cor, ele encontrou termos como amorenada, branco-melada, branco-suja, branco-queimada, avermelhada, branco-morena. Uma série de novas colorações – e percepções – para se aproximar do branco e se afastar do preto (aliás, vou lembrando, como bem colocou o artista carioca Maxwell Alexandre, que pardo é papel).

Harris ficou assombrado e perguntou: afinal, no Brasil, quem é branco? Foi perseguindo essa pergunta e analisando a composição de raça e classe, entre outros marcadores, que ele chegou a um esquema que, até hoje, faz enorme sentido no país: Harris escreveu que um negro é um branco muito pobre; um mulato muito pobre; um mulato pobre; um negro muito pobre; um negro pobre; um negro medianamente rico. Já um branco é um branco muito rico; um branco medianamente rico; um branco pobre; um mulato rico; um mulato medianamente rico; um negro muito rico. É claro que, no final, sabemos que, no tribunal final das ruas, as diferenças entre um branco muito pobre e um negro muito pobre estão evidenciadas: para o primeiro, há pelo menos a cor como capital.

Pensando nos tantos casos de tentativas de burlar as cotas, é possível atualizar a tabela de Harris para o Brasil de 2021: nele, um negro é um branco muito pobre; um mulato muito pobre; um mulato pobre; um negro muito pobre; um negro pobre; um negro medianamente rico – mas, ainda, alguém que magicamente descobre sua pele escurecida ou a “ancestralidade” de sua família apenas no momento de concorrer a uma vaga por cotas.

Como escreveu Maria da Conceição Lopes Fontoura no livro “Heteroidentificação e cotas raciais – dúvidas, metodologias e procedimentos” são aqueles e aquelas que, uma vez identificados/as, muitas vezes tiram a vovó e o vovô do armário. “Como foram denunciadas, ao buscar defesa trazem fotos de avós pretos ou pardos. Apresentam fotos em que utilizam maquiagem para escurecer a pele. Os retratos são desfocados. Usam recursos apelativos. Apelam para declaração, para legislações. Não demonstram o mínimo constrangimento por roubarem oportunidades de quem sofre discriminação diária na sociedade racista brasileira.”

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